Case Study — CareCloud
CareCloud
Ajudar a replataformar uma suíte clínica de Adobe Flex para React: quatro meses in loco em Miami, um time de cinco UX e fluxos hi-fi testados com médicos de verdade — design entregue lado a lado com os engenheiros que reconstruíam o produto.
- Cliente
- CareCloud · Health-tech, Miami (via App Theory)
- Ano
- 2017 – 2018
- Papel
- UX / Product Designer — time de cinco UX
- Plataforma
- Web app · prontuário clínico (EHR) e gestão de clínica
- Contexto
- Replataformação de um produto core de Adobe Flex para React

A CareCloud é uma empresa americana de health-tech cuja plataforma roda o lado clínico e administrativo de clínicas médicas — prontuário, prescrições, agenda, faturamento. Quando entrei, pelo estúdio de produto App Theory, a empresa estava replataformando um produto core de Adobe Flex para React.
Entrei como parte de um time de cinco UX, trabalhando in loco em Miami por quatro meses e remoto no resto de cerca de um ano. A missão: redesenhar as telas clínicas para a nova stack e validá-las com quem vive nesse software o dia inteiro — médicos, enfermeiros e recepção.
O que eu fiz
01 — O produto
Um ambiente clínico, replataformado
O produto é onde a clínica toca o dia. O Productivity Center é a base do médico: as tarefas do dia, a carga de consultas, a central de mensagens e as métricas de desempenho, tudo numa tela só. Meu trabalho era deixar essa densidade legível — muita informação, lida num relance, resolvida num clique.
Tudo precisava ser redesenhado para React. O legado era feito em Adobe Flex, uma tecnologia em fim de vida; a reconstrução era a chance de repensar a interface, não só portá-la.


02 — O prontuário
O quadro inteiro do paciente, numa só visão
Do painel, o médico entra no prontuário. O Patient Center reúne o paciente inteiro numa só tela — pedidos, próximas visitas, sinais vitais, medicações, imunizações, problemas, alergias — cada bloco um módulo que se escaneia ou se abre. O trabalho de design foi hierarquia: o que o clínico precisa primeiro, o que fica a um toque.
A prescrição vive dentro dessa tela. Trocar uma medicação por outra é um só modal: o que sai, por quê, o que entra, com a pré-visualização da receita e a farmácia já escolhida — e um selo vermelho quando a substância é controlada.


03 — A consulta
Da admissão ao faturamento sem trocar de ferramenta
O atendimento é o coração da visita. Desenhei o fluxo de anotação — admissão, história, revisão de sistemas, exame, plano — como uma sequência de passos com o progresso sempre visível. Na revisão de sistemas, chips coloridos deixam o médico marcar achados rápido, sem sair do teclado: verde é normal, vermelho é achado, cinza é o que ainda não foi avaliado.
O plano fecha a consulta. Código E&M, procedimentos e diagnósticos vivem na mesma tela da nota, com um botão para assinar e mandar ao faturamento — a visita termina sem abrir outro sistema.



04 — Os detalhes
As decisões que o print esconde
Software clínico se decide no detalhe: a cor de um chip, um ícone ao lado de uma pressão fora da faixa, o selo que diz "substância controlada" antes de o médico assinar. Cada um desses foi desenhado, testado com clínicos e ajustado. Alguns dos que mais importaram:

Verde para normal, vermelho para achado, cinza para o que ainda não foi avaliado. O médico marca a revisão inteira sem tirar a mão do teclado e lê o resultado de longe.

Pressão e dor fora da faixa ganham o ícone na própria célula. Ninguém precisa decorar o limite para enxergar o problema.

Cada paciente carrega o status, a sala e há quanto tempo espera. A cor avisa antes do texto.

O selo aparece na linha da prescrição, antes de assinar. A pré-visualização diz exatamente o que a farmácia vai receber.

Os quatro níveis como opções lado a lado, com modificadores e diagnósticos na mesma linha. O faturamento começa dentro da consulta.

O anel diz quanto já foi resolvido; a lista ao lado diz o que falta, por tipo. Um relance, uma decisão.
05 — O método
In loco com quem usa o produto
Por quatro meses trabalhei do escritório da CareCloud em Miami, ao lado de produto, engenharia e dos especialistas clínicos. Essa proximidade era o ponto: software de saúde é cheio de regras que só se aprendem vendo alguém trabalhar — como um enfermeiro prepara o paciente, como um faturista lê um código, o que um médico faz nos noventa segundos entre uma sala e outra.
Conduzi entrevistas e testes de usabilidade com clínicos reais, mapeei os fluxos de trabalho e montei protótipos de alta fidelidade que colocamos na frente dos usuários antes de uma linha do novo front-end ser escrita. Testávamos, eu ajustava, em ciclos — saúde regulada deixa pouco espaço para adivinhação.
06 — Design → código
Desenhar lado a lado com a reconstrução
Como o produto estava sendo reconstruído em React, design e engenharia tinham que andar juntos. Entreguei fluxos hi-fi conforme os componentes tomavam forma, defini os padrões de UI que a nova interface reaproveitaria e sentei com os desenvolvedores para resolver as lacunas que só aparecem no código real — estados, casos de borda, a densidade que um print esconde.
Trabalhar assim, colado no build, é a parte que levei para tudo o que vim a fazer depois: design que entra em produção, não design jogado por cima do muro.
07 — Resultado
Uma suíte legada, redesenhada para a próxima década
Ao longo de cerca de um ano, o produto clínico saiu do Adobe Flex rumo a um front-end moderno em React, com o ambiente do médico — prontuário, prescrição, agenda e faturamento — redesenhado e validado com os clínicos que o usam todo dia.
Foi minha imersão mais profunda em software de saúde regulado e pesado em fluxo, num time multidisciplinar, dentro do prédio do cliente — e o projeto que definiu o jeito como ainda trabalho: pesquisa perto dos usuários, design perto do código.
Resultados
O que o trabalho entregou
- +Um produto clínico core movido do Adobe Flex em direção ao React
- +Ambiente do médico redesenhado: prontuário, e-prescrição, faturamento, agenda
- +Fluxos hi-fi validados com médicos e equipe clínica reais
- +Quatro meses in loco em Miami com stakeholders e usuários
- +Design entregue junto com a reconstrução de engenharia
- +Padrões de UI reaproveitáveis para a nova plataforma
Stack
Tem um produto complexo que precisa ser replataformado?
Eu desenho perto dos usuários e perto do código — da pesquisa a um front-end que entra em produção.