Case Study — 2026
Tutory: marca e site
A Tutory cresceu além do que a marca conseguia transmitir. Em três meses, redesenhei o símbolo, a voz e o site: do primeiro slide do deck ao ar em tutory.com.br, design e código por uma pessoa.
- Cliente
- Tutory · EdTech, Brasília
- Período
- Mar — Out 2026
- Papel
- Brand + design engineer, solo
- Frentes
- Marca · Deck · Site · SEO/GEO
- Entrega
- No ar desde 18 jun 2026

Por fora, a Tutory era um cérebro azul de contorno arredondado, um site em WordPress e um discurso de features. Por dentro, era um ecossistema com três produtos, milhares de mentores, um podcast e um evento próprio. Quem chegava pelo site via uma ferramenta. Quem ficava, descobria o ecossistema.
Meu trabalho foi fechar essa distância em duas frentes, uma identidade que dissesse o tamanho da empresa e um site que contasse a história do jeito que o time comercial já contava nas calls, e depois estender a marca para o físico, com a gamificação da Hub e seus seis troféus. Pesquisa, posicionamento, símbolo, deck, design e código saíram das mesmas mãos, com o cliente decidindo a cada etapa.
O que eu fiz
01 — O gap
Quem chegava, via uma ferramenta.
O site de 2025 abria com uma tabela comparativa, um botão laranja de "conheça os planos" e a promessa de ser "a melhor plataforma do mercado para coaches". Rodava em WordPress com Elementor, sobre PHP 7.4, e carregava um item de menu em 404, uma página de rascunho exposta na navegação, UTMs fixas no código e spam injetado no servidor.
Antes de desenhar, mapeei o site antigo página a página e transcrevi calls de vendas reais. O contraste virou o terceiro slide do deck de marca: o problema nunca foi o produto. A Tutory cresceu além do que a marca conseguia transmitir.

02 — A marca
O mesmo símbolo. Uma arquitetura nova.
Comecei pela personalidade. A Tutory é O Governante, quem define o padrão do mercado, com um traço de O Mágico, quem transforma o que existe em algo que não existia. A primeira proposta, em 27 de março, levou isso ao extremo: uma supernova no lugar do cérebro, paleta de oceano, tipografia de sistema. Era bonita. E era outra empresa.
Quatro dias depois veio a resposta certa: manter o cérebro que todo mundo já reconhecia e reconstruí-lo como arquitetura, duas metades hexagonais em traços retos, cada ângulo calculado. Em volta dele, o azul elétrico como cor da clareza intelectual, o dourado reservado a momentos únicos, Gilroy nos títulos e Manrope no corpo. A voz mudou junto: de "a melhor plataforma para coaches!" para "os melhores mentores do Brasil já escolheram".







Aplicações




Estande, uniforme, crachá e o troféu Legacy, último nível da gamificação da Hub.
03 — O deck e as ferramentas
Uma marca que se apresenta sozinha
Em vez de um PDF, a marca foi apresentada num deck interativo em HTML puro: 37 slides, 21 deles visíveis e o resto guardado como variações, navegação por setas, roda e toque, versão vertical para celular e link direto para cada slide. A mesma apresentação virou o manual: paleta, tipografia, voz e um slide de downloads com o kit, logos vetoriais e fontes.
Para a marca não se degradar no dia a dia, a mesma pasta ganhou dois utilitários em Three.js: um gerador de vidro refrativo para renders do símbolo e um gerador de medalhas 3D empacotado como web component. Ferramentas de bastidor, para quem produz peça todo dia sem passar pelo designer.



04 — Gamificação
Da faísca ao legado
A Hub precisava de um programa de reconhecimento para os educadores que vendem na plataforma. A tese virou frase no deck: "O mercado te mede pelo quanto você fatura. Nós celebramos quem você transforma." São seis níveis por marco de faturamento, de Spark (R$ 100 mil) a Legacy (R$ 25 milhões), e cada um vem com um troféu físico: uma rede neural dourada que ganha nós e conexões a cada nível, sobre a mesma base preta. A Tutory nasceu de um cérebro, e o prêmio conta essa história.
Os troféus são 100% procedurais em Three.js. Cada rede nasce de uma semente fixa, então a mesma peça sai sempre igual, requisito de fabricação: esferas e hastes de latão banhado, medalha em aço, ônix, safira, ouro ou esmeralda, e a esfera de cristal do Spark com dispersão real. Do mesmo código saem a ficha técnica de cada peça (seis vistas, medidas, peso estimado e CSV de nós e hastes para a oficina), os STL para impressão 3D com remesh no Blender, as pranchas A4 em escala real de placas e medalhas, os ícones 2D e 3D e um deck de 30 slides com as peças girando ao vivo. Um sprint de quatro dias em agosto, 50 commits.







05 — O site
Um site à altura do ecossistema
Com a marca aprovada, o site começou em 16 de abril e foi ao ar em 18 de junho: 63 dias, 14 páginas, um monorepo em Astro com ilhas React só onde há movimento. A home conta a história do ecossistema em sequência: hero com um anel 3D de cartões sobre a foto do casal, uma frase que se revela palavra a palavra ao rolar, os números, o gráfico de crescimento e três blocos de produto que trocam como cortinas.
Por baixo, o trabalho invisível: 301 de cada URL do WordPress, Consent Mode v2 com tudo negado por padrão (LGPD), tag manager só no domínio de produção, CTAs ligados ao Typebot que alimenta o CRM e um modal de agendamento com dez gatilhos. Nenhum formulário próprio: o time comercial já vivia no WhatsApp e no CRM, e o site respeita isso.






06 — Performance, SEO e GEO
Rápido para pessoas, legível para máquinas
Performance foi tratada como feature: imagens de 159 MB para 28 MB, 50 fotos convertidas para WebP, a textura de ruído de 2,2 MB para 60 KB, largura e altura em todas as imagens para zerar o salto de layout, e 55 das 57 ilhas da home deixando de hidratar no carregamento. Acessibilidade subiu de 84 para 100 no Lighthouse, com 100 também em SEO e boas práticas.
E como cada vez mais gente pergunta a uma IA qual plataforma usar, o site foi preparado para ser lido e citado por assistentes: robots.txt liberando GPTBot, ClaudeBot, PerplexityBot e Google-Extended, llms.txt e llms-full.txt gerados em runtime, versão .md de cada guia, IndexNow para o Bing e dados estruturados em todas as páginas. Em 30 dias, o OAI-SearchBot passou 938 vezes e o ClaudeBot, 864. O canal "assistentes de IA" saiu de 2 para 20 sessões e a taxa de eventos-chave por sessão subiu de 0,68% para 1,22%.

07 — Conteúdo
Publicar sem depender de ninguém
O blog, os cases e os guias precisavam de um fluxo que o time de marketing tocasse sozinho. Testei três. Um fork do Sveltia CMS traduzido para pt-BR durou uma semana. Um CMS próprio em Astro SSR com Postgres, editor, biblioteca de mídia e deploy automático durou dois meses. O terceiro era o mais simples: conteúdo em markdown no repositório, publicado por pull request.
O mais simples venceu porque era o que o time realmente usava. Quando o ritmo real se mostrou um artigo por semana, escrito com ajuda de IA e revisado em PR, a camada de CMS virou custo sem retorno: banco, uploads, login, cota. Desliguei em setembro. Hoje são 19 artigos, 6 cases e 4 guias, cada guia com uma versão em markdown feita para as IAs.


08 — Resultado
A mesma empresa, enfim reconhecível
Em três meses, a Tutory saiu de um cérebro arredondado num site de WordPress para uma identidade que assina palco, produto, dashboards internos, crachás e os seis troféus da gamificação, e para um site que conta a história do ecossistema do jeito que o time comercial sempre contou.
A marca v2 já vive fora do site: o Tutory OS, o Aeroporto de Leads e os painéis internos nasceram nela. E o site segue evoluindo em produção, 247 commits até outubro, com artigos novos, área do professor e ajustes de hero, sem nunca ter saído do ar.
Resultados
O que mudou para o negócio
- +Identidade nova aprovada em quatro dias e em uso em todo o ecossistema
- +Site novo no ar em 63 dias, 14 páginas, migrado do WordPress com 301
- +Lighthouse 100 em acessibilidade, SEO e boas práticas (acessibilidade vinha de 84)
- +Imagens 82% mais leves e 55 de 57 ilhas sem hidratar no carregamento
- +Pronto para IAs: robots, llms.txt, dados estruturados e IndexNow
- +Gamificação da Hub: seis troféus procedurais, da ficha técnica à impressão 3D
Stack
Sua empresa cresceu mais que a sua marca?
Eu fecho essa distância: posicionamento, identidade, site e SEO, do primeiro slide ao deploy.