Case Study — Tutory OS · 2026
Aeroporto de Leads
A TV da sala comercial da Tutory mostrava uma tabela. Em uma semana, transformei essa tabela num aeroporto 3D ao vivo — cada lead é um avião que pousa, e o time passou a ver a operação acontecer, não só o número.
- Cliente
- Tutory · EdTech, Brasília
- Período
- Out 2026 — 1 semana
- Papel
- Product Engineer — design + código, solo
- Produto
- Tutory OS · Aeroporto de Leads 3D
- Entrega
- No ar na TV da sala comercial

O Tutory OS é o painel de tráfego e operação de mídia que construí para a Tutory: Meta Ads, Google Ads, HubSpot e o banco de leads num lugar só. Uma das telas, o Aeroporto de Leads, fica aberta o dia inteiro numa TV na sala do time comercial — e, como toda tabela numa TV, em pouco tempo ninguém mais olhava.
A pergunta que virou projeto: e se a sala pudesse ver os leads chegando? Em uma semana, do conceito ao deploy, troquei a tabela por um aeroporto isométrico em 3D. Cada lead que entra no banco é um avião que pousa; qualificou, entra no hangar; desqualificou, sai do pátio. As metas viraram a torre de controle. Os mesmos dados e as mesmas regras — agora com movimento, personagens e horário real.
O que eu fiz
01 — A sala
Uma TV que ninguém olhava
A primeira versão do Aeroporto já existia dentro do Tutory OS: uma tela em modo TV com as metas de leads qualificados e a lista de chegadas do mês, atualizada a cada 20 segundos. Funcionava — e era invisível. Número parado na parede vira paisagem em dois dias.
O time já falava a língua: lead "pousa", vendedor "libera", o pátio "lota". A metáfora não foi inventada por mim; estava na conversa da sala. Meu trabalho foi levá-la a sério até o fim: se lead é avião, então classificação é a cor da cauda, produto é hangar e meta é a torre de controle.

02 — A metáfora
Cada avião é um lead. Cada hangar, um produto.
O aeroporto tem dois hangares, um para cada produto da Tutory — Mentoria e Hub — com cinco vagas de pátio cada. Um lead novo pousa pela pista, taxia até a vaga e espera pela classificação do time. A cor da cauda diz em que pé ele está: verde é qualificado, amarelo pré-qualificado, vermelho desqualificado, cinza ainda pendente.
Quando o time qualifica um lead no CRM, o Dan — o sinaleiro do pátio — libera a entrada e o portão do hangar abre. Quando desqualifica, o avião é retirado: um scanner o desintegra ou, dependendo do dia, um OVNI o abduz. Mais leads pendentes do que vagas é overbooking: aviões ficam em espera no céu e o Cadu, que recebe todo mundo no pátio, fica visivelmente bravo. A sala entende o estado da operação sem ler uma linha.



03 — A tela
Vidro sobre a cena: uma interface que não compete com o aeroporto
A cena é a protagonista; os painéis ficam quietos por cima dela, em vidro branco com sombra azulada, e o azul da marca só aparece onde há ação ou seleção. No topo, as metas de qualificados de hoje, da semana e do mês — só da Mentoria, como o negócio mede. Embaixo, leads por dia, as chegadas do mês e o status de cada lead no HubSpot.
Clicar em qualquer coisa abre o inspetor. A torre resume o mês numa rosca de classificação; o hangar mostra origem e taxa de qualificação; o avião conta a jornada do lead — pousou, chegou ao HubSpot, entrou em atendimento, foi classificado. Se o lead não apareceu no CRM, a tela avisa "Faltando": a automação pode ter falhado e alguém precisa cadastrar à mão. O aeroporto virou também um monitor de integrações.


04 — Tempo real
Relógio real, luz real, lead real
A tela confere o banco a cada 20 segundos. Lead novo entra e o avião aparece no alto, à direita, faz a aproximação, toca a pista e taxia até a vaga, com um aviso na tela dizendo quem chegou e por onde. A luz segue o relógio de Brasília: o nascer e o pôr do sol são calculados para o dia, e a cena passa por dia, tarde e noite sozinha, com os postes acendendo e o céu mudando.
A cada dez minutos o aeroporto pode ceder a tela por um minuto ao giro de indicadores: um avião puxa o céu do período, o Cadu ou o Dan cumprimenta a sala — bom dia com a mão, lámen no almoço, pijama e chá à noite — e passam quadros de gráficos em bento com os mesmos números das metas. Depois o aeroporto volta. Nenhum valor em dinheiro em lugar nenhum: a tela fica numa sala, e isso foi regra desde o primeiro dia.




05 — Engenharia
Tudo gerado em código — e leve o bastante para a TV da sala
Nenhum modelo 3D importado para o cenário: pista, pátio, hangares, torre, a sede da Tutory, os prédios da vizinhança e os próprios aviões são geometria gerada em código com three.js, sem etapa de build — como o resto do Tutory OS, HTML, CSS e JavaScript puros servidos pela Vercel. A mesma função que pinta as linhas amarelas no chão guia o avião, então a roda passa exatamente em cima da pintura.
Os personagens vêm de um pack de 52 bonecos em domínio público, montados por "receitas" — corpo, cabelo, barba e cor por peça — num gerador que construí para o projeto. A TV da sala é um navegador de Smart TV, e isso ditou a engenharia: quatro níveis de qualidade gráfica, descida automática quando o quadro cai, geometria estática fundida, desfoque dos cartões desligado e todo trabalho pesado espalhado em vários quadros para o pouso nunca travar. Uma página de teste mede o custo de cada parte da cena na própria TV.


06 — Resultado
A sala voltou a olhar para a TV
O Aeroporto 3D está no ar na TV da sala comercial da Tutory, ao lado do Tutory OS que alimenta o resto da operação. Os números batem com o dashboard porque as regras são as mesmas — Hub nunca somado à Mentoria, metas só da Mentoria, o dia contado como o banco conta. O que mudou é que agora dá para ver o lead chegar, e a sala reage: comemora o pouso, cobra a classificação, percebe o pátio lotando.
Uma semana, uma pessoa, do conceito ao deploy — e um painel de BI que virou a tela que o time pede para deixar aberta.
Resultados
O que mudou para o time
- +Tela ao vivo o dia inteiro na TV do time comercial
- +Lead novo visível em até 20 segundos — como um pouso
- +Classificação, overbooking e falha de integração legíveis de longe
- +Os mesmos números e regras do dashboard, sem dinheiro na tela
- +Roda num navegador de Smart TV com qualidade adaptativa
- +Entregue em uma semana, sem build step e sem handoff
Stack
Tem um dashboard que ninguém olha?
Eu transformo dado em algo que a sala quer ver — conceito, design e código, do primeiro rascunho ao deploy.